Gestão da inovação LEAN para lidar com a 4ª Revolução Industrial

por Leandro Jardim

Neste post, conto porque, nos últimos anos, o Lean deixou de ser assunto exclusivo dos ambientes operacionais e virou um dos principais temas debatidos nos ambientes de inovação.

Tempo de leitura5 minutos

Você vai ler sobre:

  • Melhoria contínua e experimentação
  • Lean Startup
  • Gestão da inovação nas grande empresas

Você sabia que nos últimos anos o Lean deixou de ser assunto exclusivo dos ambientes operacionais e virou um dos principais temas debatidos nas startups?

Mais do que isso, você sabia que agora as grandes empresas estão tornando o pensamento enxuto o principal pilar das estratégias mais modernas de gestão de inovação?

Pois é, associar o Lean apenas à busca por eficiência e redução de custos com desperdícios na operação é coisa do passado. É possível dizer que quem ainda pensa assim está ficando pra trás. Vou contar o porquê.

Todo mundo sabe como o famoso Lean Thinking começou. A Toyota apresentava um crescimento significativo e constante por várias décadas e, aos poucos, superou as montadoras americanas de automóvel. Os pesquisadores das principais universidades do mundo, inicialmente pelo MIT, foram investigar as causas de tamanho sucesso e organizaram o conceito de Pensamento Enxuto (inspirado diretamente no Toyota Manufacturing Way). Primeiro, um foco nas ferramentas de gestão da operação utilizadas e, em paralelo, uma percepção mais profunda sobre a filosofia por trás de todas aquelas ideias, deram a forma inicial do Lean. Valor para o cliente, desperdício, nivelamento, balanceamento, gestão visual, dentre outros, foram alguns temas que se espalharam rapidamente pelos ambientes de produção e serviços. Mais adiante, ficou claro que não bastava imitar as estratégias e ferramentas da Toyota. Aspectos culturais e as oscilações contextuais se mostraram determinantes para o sucesso das implantações da filosofia Lean. Entendeu-se com mais clareza a necessidade de implantação de uma cultura de melhoria contínua verdadeiramente baseada no princípio da responsabilização.

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Pra quem já está cansado de ouvir falar em PDCA, o conceito de melhoria contínua pode parecer corriqueiro. Mas a verdade é que ele guarda segredos preciosos. O crescimento constante é consequência da melhoria contínua. Ou seja, da ideia de que sempre se pode melhorar, mesmo que não se saiba como, ou para onde exatamente. E é aí que entra a inovação. Uma empresa que esteja em uma situação de desorganização e desestruturação evidentes não terá muito problema em identificar oportunidades de melhoria e estratégias para chegar lá. Mas, e quando ela acredita que já atingiu o máximo de seu rendimento? A melhoria contínua vai parar? É hora de finalmente se acomodar? Ora, o verdadeiro pensamento enxuto jamais permitiria uma coisa dessas. Novas metas de melhoria serão estipuladas e os times de processo entrarão em ciclos estruturados de experimentação e aprendizagem até que encontrem as trilhas a seguir. A aprendizagem vem justamente da maneira estruturada de se traçar hipóteses, experimentá-las e ajustar os rumos de acordo com os fracassos e sucessos eventuais de cada tentativa.

Alguns anos atrás, um experiente empreendedor do vale do silício, de volta à academia, estava estudando o Lean quando se deu conta de que essa filosofia de experimentação e aprendizagem se encaixava perfeitamente em tudo o que havia aprendido por experiência própria no seu dia a dia. Ao invés de gastar tempo e dinheiro elaborando planos de negócio e pesquisas de marketing altamente detalhados, o mais importante era experimentar logo. Quem lida com inovação está querendo implantar algo útil e totalmente novo. Portanto, não tem como saber se vai dar certo, ou como vai dar certo, para que público vai dar certo, se é mesmo por aquilo que vão pagar, ou se é por algo ligeiramente diferente. Estamos falando de situações de incerteza extrema. Como lidar? Foi quando ele escreveu o livro Lean Startup. A ideia básica é a seguinte: mais do que um produto, as empresas novas estão em busca é de um modelo de negócios totalmente novo. Elas tem hipóteses, mas só o potencial cliente sabe o que realmente vai querer. Como no Lean, ele puxa o trabalho. E, como no Lean, também, é a experimentação junto com a aprendizagem validada que vão indicar o caminho. O livro teve grande sucesso, correu o mundo em pouco tempo e mudou as estratégias das startups ao disseminar o conceito de MVP (Mínimo Produto Viável). Mas essa ideia não parou aí.

Ao longo dos últimos poucos anos, algumas empresas grandes, preocupadas com inovação, começaram a explorar os conceitos do Lean Startup dentro de seus domínios. Nesse período, algumas ideias como Empresa Moderna, Empresa Ambidestra e o “Startup Way”, dentre outros, surgiram e agora começam a tomar a dianteira das abordagens de gestão da inovação. A ideia é simples, mais uma vez. E é aqui que entra a 4ª Revolução Industrial. Não se sabe exatamente para onde ela está nos levando, sabe-se apenas que a atual combinação de novas tecnologias (digitais, físicas e biológicas) já está conduzindo todos os mercados a inevitáveis momentos de ruptura e transformação profunda. E é apenas uma questão de tempo. Cada vez menos tempo.

Planos estratégicos com prazos muito longos fazem cada vez menos sentido. As empresas devem usufruir ao máximo, e agora, de seus negócios que ainda são rentáveis. Pois logo poderão deixar de ser. Portanto, também não se pode parar por aí. A necessidade de evoluir se impõe a todos os negócios. É preciso pensar e trabalhar a inovação intensamente. Questão de sobrevivência, digamos, no médio prazo. Mesmo sem se saber exatamente para onde, nossos mercados vão se transformar completamente. Precisamos estar preparados para operar neste novo e desconhecido cenário. Mas como? Ora, o Lean, com seus princípios de experimentação e aprendizagem tem um palpite. E ele também está se espalhando rapidamente pelo mundo.

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REFERÊNCIAS PRINCIPAIS

Jones, D. T., & Womack, J. P. (2004). A mentalidade enxuta nas empresas: elimine o desperdício e crie riqueza. Gulf Professional Publishing.

Rother, M. (2009). Toyota kata: gerenciando pessoas para melhoria, adaptabilidade e resultados excepcionais. Bookman Editora.

RIES, E. (2012). A startup enxuta: como os empreendedores atuais utilizam a inovação contínua para criar empresas extremamente bem-sucedidas.

SCHWAB, K. (2016). A quarta revolução industrial. São Paulo: Edipro.

Ries, E. (2017). The lean startup way.

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